Sarandi: uma cidade além do horizonte

 


Da cidade-satélite ao vetor de expansão: Sarandi e o fenômeno de transbordamento imobiliário no hub de Maringá


O mercado imobiliário do Noroeste do Paraná vive um ciclo de transformações profundas que está redesenhando as divisas municipais e consolidando o poder de atração da sua Região Metropolitana — hoje formada por 26 cidades e uma força demográfica de aproximadamente 851 mil habitantes. No centro dessa engrenagem, um fenômeno econômico fica evidente: impulsionadas pelo vigor e pela escassez de solo no polo central, as cidades do entorno deixaram de ser meros coadjuvantes para se tornarem os principais vetores de desenvolvimento horizontal e logístico da região.

O presidente do Secovi Noroeste, Marco Tadeu, foi entrevistado pelo Diário Indústria & Comércio, gerando uma reportagem que é base de informações para a produção desse conteúdo no SecoviNews. Segundo ele:  “Em Maringá, a valorização imobiliária está diretamente ligada à percepção de qualidade de vida”. Além disso, Tadeu considera: “A economia da cidade é apoiada por um agronegócio forte na região, um setor de comércio e serviços consolidado, educação de excelência, expansão da saúde privada e uma posição estratégica como polo logístico do Estado” 

O caso mais emblemático desse novo ecossistema urbano é o município de Sarandi. Dados recentes do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, entre 2010 e 2022, a população de Sarandi registrou um crescimento expressivo de 42%, saltando de 82.842 para 118.455 moradores. E o ritmo não deve desacelerar. Conforme projeções do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a expectativa é que o município alcance 209.750 habitantes até o ano de 2050. Esse salto demográfico fará com que Sarandi praticamente dobre de tamanho, avançando da 20ª para a 11ª posição entre as maiores economias populacionais do Estado do Paraná.

O "Efeito Maringá" e a busca pelo m² estratégico

Para compreender a velocidade desse crescimento, é preciso olhar para a dinâmica imobiliária da cidade-mãe. Maringá consolidou-se nacionalmente como um dos pólos de maior atração de capital, sendo apontada como a terceira cidade com a maior valorização imobiliária de todo o Brasil, de acordo com um levantamento da consultoria DWV divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), atrás apenas de Torres (RS) e Fortaleza (CE).

Essa valorização expressiva resultou em uma verticalização acelerada e no encarecimento natural do metro quadrado nas áreas centrais e bairros nobres maringaenses. Como consequência direta, gera-se o chamado fenômeno de spillover urbano (transbordamento): o consumidor que busca opções horizontais — como lotes em bairros planejados ou condomínios fechados com maior espaço e segurança —, bem como as famílias que demandam habitações com tíquete de entrada mais competitivo, deslocam voluntariamente seu eixo de moradia para as franjas metropolitanas contíguas.

Maringá atua como o grande hub integrador de serviços, educação superior e infraestrutura de saúde, enquanto as cidades vizinhas absorvem com agilidade a demanda habitacional e de investimentos.

Sarandi: Da moradia popular à diversificação de padrões

A expansão vetorial de Sarandi ampara-se em sua localização geográfica e na conectividade rodoviária. A duplicação e a reestruturação das marginais da BR-376 transformaram a cidade em um corredor logístico altamente competitivo, atraindo um volume robusto de barracões industriais e centros de distribuição que fogem dos altos custos tributários e de terreno do polo vizinho.

No campo residencial, a abundância de solo urbano contíguo permitiu que a cidade se tornasse um canteiro de obras para loteamentos e bairros planejados. Se no passado a cidade era rotulada como "dormitório", hoje ela exibe independência e atrai frentes comerciais de grande porte. Mais do que isso, Sarandi começa a experimentar o início de sua própria verticalização residencial, assimilando o comportamento de moradia vertical maringaense e atraindo produtos focados na classe média.

O cinturão metropolitano: Vocações de lazer, padrão e crédito

O transbordamento de Maringá atinge os demais municípios do entorno de formas distintas, respeitando as vocações geográficas de cada um:

  • Mandaguaçu e Marialva: Consolidam-se como os refúgios horizontais de alto padrão e lazer. Conectadas ao centro do polo por rodovias rápidas e duplicadas, essas cidades absorvem a demanda premium por condomínios fechados de chácaras, residências de campo e empreendimentos focados em segurança, contato com a natureza e alta qualidade de vida.

  • Paiçandu: Concentra seus esforços na expansão horizontal voltada às faixas de crédito imobiliário acessíveis e à habitação popular, impulsionada pelo avanço do seu parque industrial em áreas periféricas competitivas.

Uma oportunidade de ouro para as imobiliárias locais

Para as empresas que negociam, incorporam e administram imóveis na região, este cenário metropolitano representa um ambiente de negócios altamente propício para a diversificação de portfólio. Cruzar as fronteiras municipais e estabelecer operações físicas ou carteiras digitais focadas no entorno não é mais uma alternativa de expansão, mas uma necessidade de sobrevivência mercadológica.

Empreendimentos na Região Metropolitana costumam apresentar um Valor Geral de Vendas (VGV) combinado a ciclos de incorporação e velocidade de vendas mais velozes devido à alta demanda represada. Ao operar nesse ecossistema integrado, as imobiliárias conseguem captar desde o investidor de grandes glebas corporativas e logísticas até o comprador do primeiro imóvel residencial. No tabuleiro do desenvolvimento paranaense, compreender que o crescimento de Maringá está intrinsecamente atrelado à força de Sarandi e de suas vizinhas é a chave para antecipar as tendências que ditarão o ritmo do mercado nas próximas décadas.


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